Meios de Pagamentos Internacionais

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Uma das maiores inseguranças das empresas que pensam em ingressar no mercado internacional, às vezes até mesmo daquelas que já fazem parte dele, são os meios de pagamentos. Dentre os modelos existentes, não existe um certo ou errado, o importante é considerar qual é o melhor para a sua realidade e da sua empresa. Por esse motivo, hoje abordaremos diversos tipos de pagamentos internacionais, seus funcionamentos, vantagens e desvantagens.

Tipos de Pagamentos Internacionais 

Notas

As notas estrangeiras dificilmente são usadas para efetuar pagamentos e transações comerciais internacionais, devido as suas desvantagens: riscos de roubo, extravio, falsificação, câmbio, seguro, manuseio. Raramente são compensatórias. Além disso, dependendo do país, certos regulamentos de controle cambial podem se tornar entraves para esse modelo de pagamento.

Cheque Pessoal 
Quem participa das operações com cheque pessoal:

  • Sacador: pessoa que emite o cheque;
  • Sacado: aquele (ou aqueles) que são depositários dos fundos do sacador, geralmente é uma instituição financeira;
  • Beneficiário: quem cobra o cheque.


Como o cheque pessoal funciona:

  1. O exportador envia a mercadoria e todos os documentos comerciais ao importador;
  2. O importador encaminha ao exportador, após um período de tempo acordado, um cheque em moeda estrangeira;
  3. Quando o exportador recebe o cheque, ele o deposita no seu banco para este fazer a gestão da cobrança;
  4. O banco do exportador gera a cobrança através do banco pagador;
  5. Por sua vez, o banco pagador debita a conta do importador e credita no banco do exportador para ele creditar o montante na conta do exportador.


Os cheques pessoais são emitidos pelo titular da conta corrente contra os fundos que lá já estão depositados. Esses cheques são utilizados quando há um alto grau de confiança entre o importador e o exportador. Nesse modelo o exportador não tem garantia de ser pago pela venda de sua mercadoria, mesmo se receber o cheque, visto que o pagamento está sujeito à existência de saldo na conta e a validade da assinatura do sacador.

Além disso, nem todos os países autorizam esta forma de pagamento para as transações comerciais internacionais, pois depende diretamente da legislação interna do importador. Perder o controle da mercadoria também é outro risco que existe, já que todos os documentos comerciais são diretamente enviados ao comprador. 

Cheque Bancário
Quem participa das operações com cheque pessoal:

  • Sacador: banco responsável por emitir o cheque em cima dos seus próprios fundos; 
  • Sacado: banco correspondente do banco emitente (nem sempre está envolvido);
  • Importador: quem faz a emissão do cheque bancário;
  • Beneficiário: quem cobra o cheque. 


Como o cheque bancário funciona:

  1. O exportador envia as mercadorias e os documentos comerciais ao importador;
  2. O importador solicita um cheque bancário ao seu banco; 
  3. Por sua vez, o banco emitente debita da conta do importador e envia-lhe o cheque;
  4. O importador encaminha o cheque ao exportador;
  5. O exportador dá o cheque ao seu banco (banco pagador) para o processamento e ele credita o cheque na conta do exportador;
  6. Ao mesmo tempo, o banco pagador debita o valor da transação da conta do banco emitente.


O cheque bancário é emitido, a pedido do importador, por um banco de seu país e é sacado em outro país, pelo mesmo banco ou outra instituição financeira, a favor do exportador. Assim, como o modelo anterior, é aconselhável recorrer ao cheque bancário apenas quando a relação de confiança entre as partes for muito forte, o banco emissor for de prestígio e os países não tenham obstáculos a essa forma de pagamento. 

Uma grande diferença entre o cheque pessoal e o bancário é que o primeiro é emitido por uma pessoa sobre sua própria conta corrente, enquanto o último é pelo banco emitente sobre uma conta corrente no banco sacado. Além disso, os descontos bancários ocorrem de uma forma mais rápida e fluida no cheque bancário do que no pessoal. 

Por fim, o cheque bancário não possui bloqueios jurídicos e o compromisso do pagamento é assumido pelo banco sacador/emitente, o que dá uma maior segurança ao exportador. 

Remessas
Quem participa das operações com remessas:

  • Mandante: exportador que inicia a operação e fornece ao seu banco os documentos (financeiros ou não) para ele gerí-los; 
  • Banco remetente: banco do exportador; 
  • Banco cobrador: aquele que recebe os documentos do banco remetente e os apresenta ao importador (banco apresentador). Ele deve ser diferente do banco remetente; 
  • Sacado: importador.


Como as remessas funcionam:

  1. O exportador envia a mercadoria às autoridades alfandegárias do país de destino e encaminha os documentos financeiros e comerciais ao seu banco (remetente);
  2. O banco remetente manda os documentos para o banco cobrador;
  3. O banco cobrador contacta para o importador;
  4. Por sua vez, o importador paga ou aceita uma letra em troca dos documentos;
  5. O banco cobrador reembolsa o valor ao banco remetente e ele credita na conta do exportador.


Nesse tipo de pagamento, o exportador encarrega o seu banco da gestão do recolhimento de certos documentos comerciais e financeiros, em retribuição do pagamento ou aceitação de uma letra do importador. O enquadramento jurídico das remessas é acertado pela Câmara de Comércio internacional.

Existem dois tipos de remessas:

  • Simples: O exportador envia ao importador a mercadoria e os documentos comerciais diretamente, enquanto manda separadamente os documentos financeiros por intermédio de uma instituição financeira. Nesse caso, o exportador assume praticamente todos os riscos, pois pode perder o controle da mercadoria ao enviá-la direto ao importador e este pode recusar o pagamento ou aceite.
  • Documentária: o exportador encaminha ao seu banco os documentos comerciais, incluindo ou não os instrumentos financeiros, com as instruções para que os entreguem ao importador contra pagamento ou aceite do instrumento financeiro. Os riscos para o vendedor, nesse caso, são do comprador recusar as mercadorias, enfrentar encargos de armazenamento e despesas com transportes multas por atraso de expedição.


Ordens de Pagamento
Quem participa das operações com ordens de pagamento:

  • Mandante: quem solicita ao banco emitente para emitir a ordem de pagamento;
  • Banco emitente: banco que emite a ordem de pagamento;
  • Banco pagador: banco que efetua o pagamento;
  • Beneficiário. 


Como as ordens de pagamento funcionam: 

  1. O exportador manda para o importador as mercadorias com documentos que comprovem sua propriedade;
  2. O importador instrui seu banco para que ele proceda à transferência;
  3. O banco emitente debita o valor na conta do exportador e envia instruções da transferência ao banco pagador;
  4. O banco pagador paga o valor ao exportador.


Por meio da ordem de pagamento o comprador solicita ao seu banco que credite o valor da negociação na conta do vendedor, por intermédio de um segundo banco (banco correspondente), sendo que essa transferência deve indicar o motivo do pagamento. 

A ordem de pagamento também deve ser utilizada quando o exportador e importador têm uma relação de confiança, pois o primeiro envia a mercadoria e documentos antes de receber o dinheiro, acreditando que o último honrará com seus compromissos internacionais. Um ponto positivo desse modelo é a maior facilidade em se evitar fraudes, falsificações e extravios.


Carta de Crédito ou Crédito Documentário 
Quem participa das operações com carta de crédito:

  • Mandante: importador;
  • Banco emitente: aquele que emite a carta de crédito;
  • Banco notificador (pode ser a mesma instituição que o banco emitente);
  • Beneficiário: exportador. 

Como a carta de crédito funciona: 

  1. O importador pede ao banco emitente, mediante um documento,  a abertura da carta de crédito;
  2. O banco emitente avalia o risco e emite a carta de crédito ao exportador;
  3. O exportador envia a mercadoria para o país de destino e entrega a documentação ao banco notificador;
  4. Por sua vez, o banco notificador manda os documentos para o banco emitente;
  5. O banco emitente paga ao banco notificador;
  6. O banco notificador realiza a transferência para a conta do exportador;
  7. O banco emitente debita o valor da conta do importador e lhe entrega a documentação;
  8. O importador apresenta essa documentação na alfândega e retira seus produtos recém adquiridos.


O crédito documentário é uma forma de pagamento na qual o banco emitente, agindo a pedido e conforme as instruções do importador, assume a obrigação de pagar ao exportador ou de aceitar e pagar letras de câmbio sacadas por ele. Também autoriza outro banco a efetuar o pagamento e/ou negociar, contra a entrega da documentação estipulada, desde que os termos de condições do crédito sejam preenchidos.

Dessa forma, dentre os modelos já apresentados, a carta de crédito é a mais difundida no mercado internacional e uma boa opção para uma negociação entre um vendedor e comprador que não têm uma forte relação de confiança, pois é o meio de pagamento que mais tem garantias e segurança. A carta de crédito assegura que o exportador receberá o dinheiro, se respeitar as condições acordadas e, que o importador pagará apenas se a documentação estiver em ordem. 

Nesse sentido, é essencial analisar a carta de crédito para confirmar se todos os pontos estão de acordo e se realmente as partes são capazes de cumprí-los. O banco emitente analisa o documento em si, mas não se responsabiliza pela fiscalização da mercadoria armazenada (para isso, recomenda-se contratar uma empresa de inspeção de origem). No entanto, é de suma importância verificar os bancos participantes dessa operação para evitar grandes problemas como fraudes e atrasos. Certifique-se de que sejam instituições financeiras de confiança e prestigiadas.

Segundo a UCP 600, os créditos documentários são sempre irrevogáveis; ou seja, não podem ser anulados nem modificados por nenhuma circunstância, a não ser por acordo de todos os participantes dessa operação (comprador, vendedor e bancos). Além disso, esses créditos precisam ser confirmados pelos bancos para atestar a existência dos fundos.

Há uma série de tipos de crédito como transferíveis, não transferíveis, renováveis (revolving), subsidiários (back-to-back), com cláusula vermelha, cláusula verde e “stand by”.

Existem também, alguns fatores que impactam na carta de crédito:

LOCAL DE PAGAMENTO

  • Caixas do banco emitente: cobrança mais demorada, posto que deve ser apresentada antes a esse banco para proceder o pagamento;
  • Caixas do banco intermediário: cobrança imediata face à apresentação da documentação em ordem;
  • Caixas do banco confirmador (terceiro): essa situação acontece quando o crédito está em uma moeda diferente da moeda do exportador e do emitente e/ou há uma desconfiança mútua para com o banco emitente.


FORMA DE PAGAMENTO

  • À vista (At sight): O pagamento é imediato e efetuado depois da apresentação da documentação necessária em ordem;
  • A prazo (Terms): O exportador recebe a título de crédito (letra de câmbio/LC). O pagamento é realizado depois de certo período de tempo acordado.


Por fim, em resumo, é importante lembrar que antes de decidir pelo(s) modelo(s) de pagamento(s), é deve-se levar em consideração alguns pontos: 

  1. Segurança: este fator pode ser muito relevante para alguns enquanto outros não possuem grandes preocupações. O fato é que ele pode sim poupar alguns estresses. Contudo, tem implicações nos custos, pois a tendência é que quanto mais seguro, mais caro é o meio de pagamento.  
  2. Características do comprador e de seu país: dependendo da localização e do tipo de comprador com quem você está fazendo negócios é necessário ser mais cauteloso ou mudar sua forma de se relacionar. Por isso, pesquise essas informações sempre! 
  3. Negociações, riscos e relevância do negócio: é muito comum que empresas, dentro do mercado internacional, tenham que aceitar correr riscos indesejados para dar continuidade a uma negociação. Dessa forma, avalie se vale a pena seguir com o acordo, apesar dos riscos. Saiba qual é a importância e impacto deste negócio para a sua empresa.
  4. Possibilidade de financiamento: frequentemente, as operações internacionais de compra e venda somente são possíveis graças a um financiamento. Assim, pondere quais são as condições que cada forma de pagamento tem para um financiamento e quais tipos realmente o oferecem, pois não são todos que facilitam esse processo.
  5. Variação de câmbio: o risco cambial de flutuação da moeda pode gerar apreensões. Assim, seria interessante procurar instrumentos financeiros que trazem mais tranquilidade em relação a isso, como uma modalidade ACC (Antecipação de Contrato de Câmbio) ou Hedge, instrumento de seguro para proteção de grandes flutuações cambiais.


De fato, não é tão simples decidir qual meio de pagamento internacional usar, uma vez que existem diversos tipos e é preciso levar em conta vários fatores interligados para tomar essa decisão. Todavia, lembre-se que o melhor meio de pagamento é aquele que é o melhor para sua empresa, dada a sua natureza e realidade. 

Dúvidas e incertezas sobre esse tema são comuns principalmente para as pequenas e médias empresas, mas nós da B2Brazil estamos aqui para simplificar o processo e facilitar o caminho, para que a sua empresa avance nas negociações internacionais.

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